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domingo, 18 de maio de 2014

Profissionais mais afetados

Síndrome de Burnout afeta quem lida diretamente com público uma doença moderna é cada vez mais comum no Brasil e no mundo.
Quando o trabalho de quem lida com o público vira sofrimento, motivo de desânimo e estresse, o profissional adoece. É cada vez maior o número de pessoas que sofrem da síndrome de burnout, uma doença do trabalho que já se tornou um problema de saúde pública.
As categorias mais atingidas são os professores, médicos, enfermeiros  e motorista de ônibus.
A síndrome de burnout está associada a alguns fatores: condições de trabalho, altos índices de violência, acúmulo de empregos e pressão do público.
Os professores na sala de aula à beira de um ataque de nervos com presença de alunos particularmente difíceis sentimento de injustiça, de não reconhecimento do seu esforço e da importância do seu papel na sociedade e carga de trabalho excessiva;
Os enfermeiros na emergência superlotada, pacientes insatisfeitos e com medo de agressões ritmo acelerado de produção por excesso de tarefas e remuneração baixa em relação à responsabilidade e complexidade das tarefas executadas;
Os motoristas de ônibus congestionamento no transito, precariedade dos veículos contribui para impotência dos motoristas frentes às exigências de trabalho, renumeração insuficiente, cumprimento de horário e ausência de equidade;
Os médicos exaustão emocional, realização pessoal, despersonalização, baixos salários, as expectativas frustradas, as horas incessantes de trabalho e plantões infindáveis, juntamente com a multiplicidade de atividades.  


Estratégias e Intervenções da Síndrome de Burnout


O tratamento da síndrome de burnout segundo o Ministério da Saúde, consiste em tratamento psicoterápico, farmacológico e intervenções psicossociais. O conceito da síndrome de burnout é formado por três dimensões relacionadas, mas independentes: exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização profissional. A exaustão caracteriza-se pela falta de ânimo e entusiasmo, pelo sentimento de frustração e pela sensação de esgotamento de recursos ao perceber que já não tem mais energia para realização do seu trabalho; a despersonalização é caracterizada pelo desenvolvimento de uma insensibilidade emocional, fazendo com que o profissional trate colegas, clientes e organização de maneira desumanizada; e a diminuição da realização profissional caracteriza-se pela tendência do trabalhador em auto avaliar-se de maneira negativa, tornando-se infeliz e insatisfeito com seu desenvolvimento profissional, com declínio no seu sentimento de competência e produtividade, bem como na sua capacidade de interação com os demais.
As estratégias para o enfrentamento da síndrome de burnout variam de acordo com o objetivo desejado, incluindo intervenções que variam de acordo com a necessidade de cada um. São elas:
  • Estratégias organizacionais (focadas no contexto ocupacional) - Estas ações devem promover o bem-estar e prevenir o surgimento de doenças, com medidas que se iniciam na cultura organizacional até às condições de trabalho, como: mudanças das condições físico-ambientais e clima de trabalho em que se desenvolvem as atividades, para redução de eventos adversos e melhora da resposta do indivíduo ao ambiente de trabalho; capacitação e treinamento através de um processo de educação permanente; recursos humanos suficientes; lotação do funcionário em local que melhor se adapte ao seu perfil para realização da atividade com satisfação; tempo adequado ao descanso; mudanças no estilo de liderança; melhores condições e disponibilidade de materiais de trabalho; flexibilidade de horário; plano de carreira; autonomia laboral; participação na tomada de decisão; reconhecimento do mérito;
  • Estratégias individuais (focadas no indivíduo) – Compreendem estratégias de enfrentamento pessoais e respostas emocionais diante dos agentes estressores, conseguindo prevenir as respostas negativas associadas ao efeito do estresse, como: confronto (visão de desafio e avaliação das diversas possibilidades de ações e suas consequências); afastamento (negação de sentimento de medo ou ansiedade, recusando-se a acreditar que a situação esteja ocorrendo); autocontrole (controlar a emoção advinda do problema); suporte social (recorrer às pessoas em seu meio social para obter apoio na resolução do problema); aceitação da responsabilidade (aceitar a realidade da situação e que nada pode ser feito para mudá-la); resolução do problema (elaborar planos de ação e alternativas para resolver a situação) e reavaliação positiva (enxergar os aspectos positivos da situação, como forma de diminuir a carga emotiva do acontecimento). Além disso, passar um tempo com a família, ter hobbies, conversar com pessoas de confiança e adquirir hábitos de vida saudáveis como a prática de atividade física, dormir bem, manter uma dieta equilibrada, ter vida social e senso de humor são necessários para diminuir os efeitos do estresse profissional. Essas medidas podem prevenir o aparecimento da síndrome, ao proporcionar uma fuga do indivíduo em relação ao estresse cotidiano no ambiente do trabalho, além de fazer o trabalhador produzir mais e melhor estando com corpo e mente sã. Essas estratégias dependem exclusivamente de cada um, cultivando hábitos que contribuam pra manutenção de seu equilíbrio físico e mental;
  • Estratégias combinadas (focadas na relação indivíduo-organização) - Um bom relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho pode auxiliar no não desenvolvimento da síndrome de burnout. Ações preventivas para melhoria da comunicação e trabalho em equipe, reuniões para discussões e reflexões sobre problemas, palestras e programas que informem os profissionais quanto aos riscos a que estão expostos e a identificação das manifestações da síndrome. Estratégias coletivas buscam a manutenção do equilíbrio psíquico frente às ameaças no ambiente de trabalho, elas proporcionam integração da equipe, troca de experiências, apoio mútuo e redução da tensão no ambiente de trabalho.

Assim, concluímos que o enfrentamento da síndrome depende de mudanças multifatoriais a serem vencidas e que a eficácia das intervenções obtém maior resolutividade quando são combinadas estratégias individuais com estratégias organizacionais.


MORENO, Fernanda Novaes et al. Estratégias e Intervenções no Enfrentamento da Síndrome de Burnout. Ver. Enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2011 jan/mar; 19(1):140-5.