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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Depoimentos de professores - Síndrome de Burnout

V.L.C.

Estou com 54 anos de idade, leciono à 28 anos, trabalho no Estado e no município,. e confesso: cheguei no meu limite, minha intenção era trabalhar 30 anos no Estado para não perder uma gratificação/promoção pelo tempo, mas confesso que não está dando. Os últimos quatro anos estava afastada pelo município por uma indicação política, porem, agora fui obrigada a retomar e estou a ponto de enlouquecer, estou literalmente em pânico de escola, de manhã de tarde e de noite eu não suporto. estou vivendo a ponto de 20mg de diazepan para poder criar coragem e ir trabalhar, porém o remédio me deixa prostrada de sono e eu não consigo articular a mente. 

M.

Sou professora há 30 anos, e sempre o fiz com muito prazer. Atualmente, tenho estado reclusa, sinto medo de pessoas, de multidões, tive uma crise convulsiva na escola, tenho medo de tudo e de todos, sentimento de rejeição por todos e meu médico caracterizou a síndrome. É realmente muito sério…e o quadro só mudará se a EDUCAÇÃO do país for tratada de forma diferenciada.

M.J.M

Fui diagnosticada pelo psiquiatra, cujo laudo acusou a Síndrome de Bornout. Como o SAS (Plano de Saúde dos professores), não funciona aqui no Paraná, gastei horrores com idas e vindas em: psiquiatra, cardiologista, neurologista e outros especialistas. Tudo com consultas particulares, sem contar os remédios caríssimos que fiz e faço uso. Além das viagens, pois as cidades onde existem esses especialistas ficam a 70 e 150 km de onde resido. Há mais ou menos quatro anos estou em tratamento. O psiquiatra pediu minha readaptação permanente, pois só de pensar que vou retornar para sala me dá uma espécie de cansaço, meu coração dispara. À noite acordo várias vezes com um zunido no ouvido, tenho enxaqueca sempre que sofro fortes emoções ou decepções, além de sofrer de hipotireoidismo, gastrite crônica. Acho que é só isso!
Ocorre que no dia 22/05/13 tive que ir a Curitiba que fica cerca de 400 km de onde moro, com todas as despesas (viagem, hotel, comida) pagas por mim, para passar pela perícia médica.Em menos de dez minutos, passei por duas médicas que não se identificaram, me fizeram apressadamente algumas perguntas e uma delas disse: você tem duas saídas ou volta para sala de aula ou pede sua aposentadoria proporcional. Há 21 anos leciono e faltando apenas três anos para me aposentar, não acho justo encerrar a minha carreira profissional dessa forma, haja vista, que todas essas doenças desencadearam por conto do descaso com a educação neste país.

J.M

Estou com 60 anos, trabalhei em escola municipal, estadual e por último em escola particular. Estou afastado da educação a 9 anos. Trabalhei como professor, coordenador administrativo e secretário. Após 10 anos em uma escola(última), pedi demissão, estava ficando louco. Não conseguia passar em frente a uma escola, não suportava ouvir os gritos dos alunos, tudo relacionado a escola me levava ao pânico. Cheguei a jogar pedras no pátio da escola em frente a minha casa. Procurei de imediato um psiquiatra. Tomei remédio durante anos como esquisofrénico. Sofria da síndrome Burnout e não sábia. Sabem o que está me curando: A NATUREZA, comprei uma chácara no interior de Minas, dei um basta nos remédios,estou me recuperando aos poucos, me livrei da bomba prestes a explodir…

Caso - Síndrome de Burnout III

A., 50 anos, casado, técnico em telecomunicações, funcionário de empresa de telefonia há 28 anos. Seus problemas começaram em 1996, com sucessivas mudanças administrativas: foi transferido de unidade duas vezes e assumiu, sem consulta prévia, posto de gerência, aumentando suas atribuições, enquanto reduzia-se o efetivo de pessoal. Suas novas tarefas incluíam a demissão de funcionários. Para aprender o novo serviço, passou a trabalhar até mais tarde nos fins de semana. Começou a sentir-se muito cansado fisicamente, ansioso, tenso e insone. Após a privatização da empresa, instalou-se o processo de reestruturação produtiva, com demissões em massa e expansão dos serviços. Os novos contratados não estavam suficientemente qualificados para as funções, exigindo maior esforço na tarefa de supervisão. Havia sucessivas "mudanças de diretriz" ("mandavam a gente fazer tudo de um jeito, e no dia seguinte não era mais nada daquilo, o trabalho era jogado fora"), além das ameaças de demissão, da desmoralização dos funcionários e das exigências cada vez maiores de rendimento ("quando a meta não era alcançada, era porque éramos incompetentes; quando se conseguia, deveríamos ter nos esforçado mais para superá-la"). Além do cansaço físico, sentia-se exigido além do seu limite emocional. Pensar em trabalho deixava-o irritado e impaciente, ao contrário do que sempre foi (considerava-o como prioridade, fonte de satisfação pessoal e orgulho). Passou a apresentar, além da ansiedade, tristeza profunda, falta de prazer nas atividades, dificuldade em tomar decisões, perda de apetite e de peso (cerca de 14 kg em 7 meses), "brancos" de memória, desesperança, sentimento de desvalorização pessoal e vontade de morrer. Foi, então, afastado de suas atividades laborativas, e iniciou tratamento psiquiátrico em 2000. Fez uso de diversas associações: tioridazina 10-30 mg/dia, cloxazolam 2 mg/dia, sulpirida 300-600 mg/dia, biperideno 2-4 mg/dia, nortriptilina 25-75 mg/dia. Foi encaminhado ao Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB) após 2 anos de tratamento privado. Vinha em uso de oxcarbazepina 600 mg/dia, clonazepam 4 mg/dia e levomepromazina 50 mg/dia, que foram então substituídos por imipramina 75-150 mg/dia, clorpromazina 100 mg/dia e diazepam 10 mg/dia (esquema atual). Evoluiu com melhora importante da ansiedade e da insônia, melhora parcial dos sintomas depressivos e intensa dificuldade de lidar com situações referentes ao trabalho. Foi aposentado por invalidez 1 ano após sua admissão no ambulatório do IPUB.

O caso descrito apresenta vários dos fatores relativos à organização do trabalho considerados por Maslach et al. como determinantes do burnout - sobrecarga, insegurança em relação às tarefas, falta de condições para exercer o trabalho, insegurança quanto à permanência no emprego, falta de suporte da equipe/chefia, sentimento de desmoralização pessoal no ambiente de trabalho, sentimento de injustiça. Os fatores pessoais de dedicação ao trabalho também estão presentes. Os sintomas emocionais desenvolvidos pelo paciente correspondem às três dimensões características da síndrome de burnout. O paciente apresenta também depressão. Embora apareçam associados com freqüência, vários estudos mostram que burnout e depressão são conceitualmente diferentes. Segundo Freudenberger, o "estado depressivo" presente no burnout seria temporário e orientado para uma situação precisa na vida da pessoa (no caso, o trabalho), além do que não estaria presente o sentimento de culpa, característico da depressão; também para Maslach, o burnout afetaria somente o campo profissional, enquanto que a depressão atingiria todas as áreas da vida do indivíduo. Brenninkmeyer sistematiza essas diferenças. Comparados a indivíduos deprimidos, os que têm burnout: 1) aparentam mais vitalidade e são mais capazes de obter prazer nas atividades; 2) raramente apresentam perda de peso, retardo psicomotor ou ideação suicida; 3) têm sentimentos de culpa mais realistas, se os têm; 4) atribuem sua indecisão e inatividade à fadiga (e não à própria doença); e 5) apresentam mais freqüentemente insônia inicial, em vez de terminal (como na depressão). A natureza da associação burnout/depressão ainda não é bem conhecida: pode se dever a antecedentes etiológicos comuns (ligados ao estresse crônico ou a fatores de personalidade, como traços neuróticos, por exemplo), podendo ser o burnout uma fase (ou um precursor) no desenvolvimento de um transtorno depressivo. Iacovides sugere que burnout e depressão poderiam compartilhar várias características "qualitativas", especialmente nas formas mais graves deburnout, propondo que sejam aplicados os dois diagnósticos em certos casos, tais como: aqueles em que haja maior grau de disfunção no trabalho do que de sintomatologia depressiva, início da disfunção antes do início da depressão maior ou a existência de uma atitude negativa em relação à profissão que não pode ser explicada como uma manifestação da depressão.
A sobreposição, no caso apresentado, da síndrome de burnout com depressão leva-nos a duas hipóteses: 1) a demora no reconhecimento do problema poderia ter resultado no desenvolvimento de uma complicação (a depressão); ou 2) tal caso pertenceria a um subtipo de pacientes com maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de burnout e que estaria associado com maior gravidade do quadro e semelhança fenotípica com depressão (de acordo com o estudo de Iacovides)27. Ahola et al.8 sugerem que "ao lidar-se com população de trabalhadores, é recomendável aferir-se tanto a existência de burnout quanto de depressão".
Este caso é um exemplo de que o burnout parece estar relacionado não a profissões específicas, e sim à maneira como se organiza o trabalho, independente da atividade exercida18,28. O determinante fundamental parece ser a impossibilidade encontrada por pessoas profundamente empenhadas em atingir um ideal (aqui representado pelo engajamento no trabalho) de realizar tal meta, impossibilidade esta também determinada pelas características da organização do trabalho.

Caso - Síndrome de Burnout II


Na sala de aula, professores à beira de um ataque de nervos. Na emergência superlotada, pacientes insatisfeitos e enfermeiros com medo de agressões.
Quando o trabalho de quem lida com o público vira sofrimento, motivo de desânimo e estresse, o profissional adoece. É cada vez maior o número de pessoas que sofrem da síndrome de burnout, uma doença do trabalho que já se tornou um problema de saúde pública.
“As categorias mais atingidas são os professores, médicos e enfermeiros. Dentro da área de saúde, citam-se ainda dentistas e, em outras áreas, encontramos relatos em relação a policiais e jornalistas”, diz o pesquisador Waldemir Borba.
Dezesseis anos de profissão, três empregos ao mesmo tempo. Uma enfermeira adoeceu e faz tratamento psicológico pra se livrar dos sintomas. “Emocionalmente, tristeza profunda e angústia, e, fisicamente, dores, no corpo todo”, diz a profissional, que não quis se identificar.

Casos - Síndrome de Burnout

Catarina Marques, 22 anos, trabalhava numa empresa onde se sentia profundamente desmotivada: o volume de trabalho era enorme, passava demasiadas horas sozinha no escritório e não via o seu trabalho a dar frutos. "Andava sempre mal disposta, triste e carrancuda, o que fazia de mim uma pessoa antipática, característica que não faz parte da minha personalidade", conta Catarina. Este cenário que muitos interpretam como uma simples depressão era, na verdade, um caso de "burnout".

A síndrome de "burnout" é um quadro clínico, uma perturbação psicológica ou uma alteração do comportamento que tem como principal fonte um desajustamento do indivíduo ao seu trabalho. Resulta do stress crônico provocado por razões laborais, podendo, em determinado momento, haver uma mudança em algum aspecto do trabalho ou até mesmo da vida pessoal que motiva a crise.






Catarina sabe bem o que é sentir o copo a transbordar. A jovem licenciada em Ciências da Comunicação, na vertente de assessoria, trabalhava como Assistente Administrativa num centro de formação. O fato de passar muitas horas sozinha e de serem poucos trabalhadores fez com que se começasse a sentir o trabalho como um fardo. Na sua rotina diária, sentiu modificações ao nível do seu "sentido de humor" e consequentemente, na forma como se "relacionava com os outros".

A jovem acabou por deixar o trabalho não só porque se sentia deprimida mas também porque tinha "consciência de que a empresa se encontrava em dificuldades econômicas e que não tinham capacidade de sustentabilidade".


O que é Síndrome Burnout?

    O termo burn significa queima e out significa exterior sugerindo que a pessoa  com este tipo de estresse se consome física e emocionalmente , passando a apresentar um comportamento agressivo.
    Sua principal característica é o estado de tensão emocional e estresse crônicos provocado por condições de trabalho. 
    A síndrome se manifesta especialmente em pessoas cuja profissão exige envolvimento interpessoal direto e intenso.